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Tecnologia que aproxima os fiéis do evangelho

Rede lançada no ano passado revela surgimento de novas ferramentas de comunicação na Igreja Católica

Por: Alice de Souza – Diario de Pernambuco

Por: Anamaria Nascimento – Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/04/2019 08:00 Atualizado em: 22/04/2019 10:56

Meios digitais são usados para aproximar igreja dos fiéis. Foto: Peu Ricardo/DP.

O consultor de viagens Taynon Santana, 25 anos, chegou ao céu há seis meses. De lá, tem a rotina acompanhada por 7,5 mil seguidores. Quase todo dia, procura enviar uma mensagem sobre a vida junto ao Senhor para eles. Taynon não vive em nenhuma distopia ou encontrou um canal de comunicação com o além. Ele é o adepto mais fiel da primeira rede social exclusiva para católicos. A rede Céu, lançada no fim do ano passado em Pernambuco, é expoente de um movimento crescente de utilização das novas tecnologias de informação e comunicação para aproximar as igrejas dos fiéis. Evangelhos pelo Whatsapp e celebrações transmitidas ao vivo pelo Facebook são outras expressões crescentes da fé na era digital, reforçadas em épocas comemorativas, como na Semana Santa.

A aproximação da Igreja Católica com o espaço digital tem em um dos seus exemplos mais expressivos a presença do papa Francisco nas redes sociais. Com contas no Twitter e Instagram, o pontífice utiliza os canais para evangelização e também para emitir declarações sobre temas da atualidade. Nem sempre, porém, a relação da igreja com as tecnologias de comunicação foi tão amistosa. Entre os séculos 15 e 19, período ligado à inquisição, a relação com os meios de comunicação era marcada pela repressão e censura, lembra a publicitária Ana Cíntia Silva, no estudo Igreja Católica e Novas Tecnologias: uma análise do Twitter do papa Francisco durante a JMJ 2013.

O primeiro documento da Igreja Católica sobre a comunicação, de acordo com a pesquisa, foi a carta encíclica Vigilanti Cura, de 1936. O segundo foi a carta encíclica Miranda Prorsus, escrita pelo papa Pio 12, que aborda o fenômeno comunicacional atrelado ao cinema, à televisão e ao rádio. Nos dois documentos, já eram apontados os lados positivos e negativos, segundo a visão católica, desses meios. O terceiro documento, escrito durante o Concílio Vaticano 2, marcou em definitivo o entendimento pela igreja de que os meios de comunicação são um canal para evangelizar. Durante o concílio, foi decretado o Dia Mundial das Comunicações, no qual todos os anos é feita uma reflexão sobre o papel das tecnologias.

No século 21, o uso da internet e das redes sociais é também uma forma de aproximar os jovens e reter os fiéis na igreja. Em 1970, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os católicos representavam 92% da população. Em 2010, passou a ser 64%. Inseridos dentro da igreja católica desde a infância, um grupo de empresários pernambucanos decidiu somar as experiências profissionais em prol de criar um elo de reaproximação, sobretudo dos jovens, com a igreja. Em 2016, eles começaram a desenhar o que seria a rede social Céu. “Sabemos que a mídia tradicional está passando por uma revolução e uma grande incógnita era como fazer essa ligação com os fiéis. Pensamos em uma forma de trazer o católico de volta à igreja e evangelizar por meio da internet”, disse um dos criadores, de 35 anos, que prefere manter o anonimato.

A rede Céu foi iniciada em novembro apenas em fase de testes. Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.

A rede Céu foi iniciada em novembro apenas em fase de testes, mas já tem mais de 7 mil membros. Até o fim de 2019, será lançada oficialmente em cinco idiomas com o objetivo de alcançar a meta de milhões de católicos pelo mundo. Por enquanto, ela funciona por meio de compartilhamentos em feed, como no Facebook, no qual os usuários podem inserir mensagens sobre a rotina vinculada à igreja, de incentivo aos demais, passagens bíblicas e atividades religiosas. No lugar do botão curtir, está o “Amém”. Há também o botão “confessar”, em anonimato, onde as pessoas podem confidenciar ter vivido situação parecida.

No futuro, os criadores pretendem inserir outras ferramentas como espaços para testemunhos, realização de transmissões ao vivo, realização de campanhas de arrecadação para atividades paroquianas ou ajudas humanitárias e criação de páginas de paróquias e comunidade. Por enquanto, só está disponível na versão web, o aplicativo para celular será lançado em meados de maio. “A plataforma me trouxe de volta à igreja. Só de acordar todo dia e ler uma mensagem boa, já me faz bem. Percebo que a Céu também cumpre um papel de deixar os jovens católicos mais livres que outras redes para mostrar sua vida religiosa, já que muitos acabam com vergonha ou medo de fazer isso em locais como Facebook ou Instagram, por exemplo”, relata outro criador, de 30 anos. O grupo prefere não se identificar para preservar a finalidade religiosa.

Taynon conheceu a rede por meio do trabalho e já estabeleceu uma meta: quer ser o mais seguido. Para ele, a rede social para católicos é um espaço de liberdade. “Na Céu, consigo dar sentido a tudo o que faço em Deus. Lá, encontro pessoas que estão vivendo o catolicismo, até um tema polêmico terá um debate mais pautado em pensamentos complementares. Não vai gerar aquela confusão que poderia gerar em outros lugares”, conta. Entre as postagens que já viu, Taynon conta que elas variam bastante. Desde trechos da Bíblia até enquetes sobre se é válido ou não brincar o carnaval. “Hoje o jovem está na rede social, então por que a igreja não deveria estar?”, questiona.

Fonte: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2019/04/tecnologia-que-aproxima-os-fieis-do-evangelho.html

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